Afinal, para que serve o design?

É comum que pessoas que não são da área do design atribuam a profissão do designer gráfico apenas como alguém que coloca no papel (ou na tela) aquelas ideias que já estão pré-estabelecidas em suas mentes exatamente como foi imaginado.

É ótimo que o cliente tenha ideias e conceitos visuais para sua empresa, mas é necessário dar espaço para que o designer sugira mudanças e ouvi-las, afinal, buscar soluções é o trabalho dele.

O designer trabalha diretamente com inovação e criatividade. Às vezes, chegar com uma ideia literal para um logotipo, como um desenho de computador para uma empresa de TI, por exemplo, pode equivaler a abrir mão de todo o seu potencial e acabar com resultados medianos.

A missão do designer é analisar o briefing, ouvir o que o cliente tem a dizer e então lapidar esses dados, usando suas competências e repertório para entregar essas informações aos clientes do seu cliente, da melhor forma possível.

Por esse motivo, a fase inicial de cada projeto é importante. São as primeiras conversas entre cliente e agência que vão nortear todo o processo de criação.

Reduzir o design a apenas escolher um estilo de fonte qualquer e juntar com a cor preferida de alguém é ignorar que, através dele, é possível diferenciar o seu serviço ou produto dos demais, criar conexões mais fortes com o público e atribuir significados à sua marca. Isso tudo está por trás da diagramação do layout ou criação de uma identidade visual.

O design ajuda a transformar empresas e serviços em marcas. O conceito de branding vai além da identidade visual, claro, mas está inserido.

A estética é uma consequência do design bem feito e não deve ser o alvo na hora de desenvolver uma peça gráfica. Até por que o conceito do que é belo ou não é relativo, nem todo mundo concorda que a mesma pessoa é bonita ou gosta das mesmas cores.

Portanto, design é função!

Para exemplificar melhor, vamos usar um exemplo: se estamos falando de criação de logotipo, identidade visual e conteúdo para redes sociais, ele deve:

  • Comunicar de forma clara (encher a diagramação de texto não quer dizer comunicar melhor, muito pelo contrário);
  • Identificar a empresa (nas redes sociais, nem sempre é necessário colocar seu logotipo na assinatura do card);
  • Estar de acordo com o conceito da marca (se ela se posiciona como descontraída, não devo usar elementos visuais que digam o contrário);
  • Capturar a atenção do público-alvo;
  • Diferenciar da concorrência (se todos estão fazendo A e B, fazemos C. Ou melhor, por que não tentar uma das outras 26 letras do alfabeto? As abordagens podem ser infinitas se nos permitirmos sair da caixa);
  • Prever as percepções erradas que podem ser absorvidas da peça e evitá-las (afinal de contas, design é projetar, então as limitações devem ser consideradas);
  • Pensar em todas as mídias em que o material será visto e adaptá-lo (vai ser impresso? Como vai ficar no feed do Instagram? Como a cor vai ser adaptada à impressão? Vai haver variações?);
  • Entre outras exigências que cada projeto possuí e são diferentes.

Designer é aquele que faz o layout, sim, mas o trabalho começa bem antes de abrir o software ou aplicativo para escolher se o texto de uma página será alinhado à esquerda ou centralizado. É o olhar estratégico para identificar o problema, traçar um objetivo e pensar na forma correta de alcançá-lo, utilizando como base a bagagem teórica. E então, por fim, optar pelo vermelho ou pelo azul.